
Carlos Fernandes nasceu aos 12 de Outubro de 1983, na província de Luanda, e foi um activista pioneiro LGBTIQ+ angolano, director e co-fundador da Associação Íris Angola, a primeira organização LGBTIQ+ de seu país. No entanto, suas lutas ajudou a expandir os direitos LGBTIQ+ em todo o país.
Carlos mudou-se para Portugal em 1996 para viver com a família materna, mas o seu primeiro contacto com a comunidade LGBTIQ+ foi aos 18 anos de idade, após ter vivido muitos anos em Portugal, Fernandes regressou à Angola com energias renovadas para lutar pelos direitos das minoriais sexuais e de género em sua terra de origem.
Firmou parcerias com a Lambda (uma organização LGBTIQ+ moçambicana) e com a UNAIDS com intuito de formar uma organização LGBTQ+ em 2013, actualmente chamada de Associação Íris Angola de modo a contribuir para um futuro em que as minorias sexuais e de género tenham espaço, voz e participação na sociedade angolana.
Fernandes aceitou fazer parte do projecto da organização sobre prevenção do VIH/SIDA direccionado aos HSH (homens que fazem sexo com homens). Fernandes continuou a depositar esperanças na Iris Angola mesmo após a UNAIDS retirar seu financiamento.
Carlos participou de uma celebração do mês do orgulho de 2021 na embaixada dos Estados Unidos da América em Angola. O evento, denominado “Você está incluído”, aconteceu via Facebook ao vivo. Consistiu em uma discussão sobre questões LGBTIQ+ com outros activistas angolanos, incluindo a activista transgênero Immani da Silva, Líria de Castro actual directora executiva do Arquivo de Identidade Angolano e Michel Kouakou da organização UNAIDS.
Fernandes cedeu a entrevista feita pela cadeia televisiva portuguesa RTP Africa em 2022, para falar sobre a sua organização e de questões LGBTIQ+ em Angola, e no mesmo ano, ele actuou como inter-locutor para um projecto de história oral realizado pelo GALA Queer Archive e pelo Arquivo de Identidade Angolano.
O projecto teve o objectivo de criar um arquivo da vida queer no país. Fernandes estava a trabalhar num documentário sobre o activismo LGBTQI+ angolano, antes de sua morte.
Fernandes acreditava que a falta de acesso à educação levava muitas pessoas LGBTIQ+ em Angola ao desemprego. “Nas escolas temos alguns problemas e, por vezes, a sexualidade não pode ser reconhecida porque o acesso à saúde e ao emprego é difícil, por isso, grande parte deles da comunidade LGBTIQ+ não está a trabalhar”, disse ele.
Carlos Fernandes foi supostamente assassinado em sua residência em 26 de fevereiro de 2024, segundo informações obtidas na página do Facebook da Associação Íris Angola.


