Hillary Ikechukwu, de 23 anos, não resistiu às lesões sofridas após ter sido atirado do terceiro andar de um hotel por um grupo de indivíduos homofóbicos. O seu funeral foi marcado por actos de hostilidade e celebração pública da sua morte.

Em Julho de 2025, o jovem nigeriano recém-formado Hillary Ikechukwu, de 23 anos, foi violentamente agredido por um grupo de indivíduos movidos por ódio homofóbico. Após terem amarrado as suas mãos, os agressores atiraram-no do terceiro andar de um hotel.
Hillary permaneceu hospitalizado durante vários meses, vindo a falecer em Outubro do mesmo ano, em consequência de lesões graves na medula espinal resultantes da queda.
Após o anúncio do seu falecimento, diversos perfis nas redes sociais celebraram a sua morte, afirmando que o ocorrido serviria de “aviso” para outros indivíduos homossexuais na Nigéria. As manifestações públicas de ódio geraram forte indignação, mas também revelaram o nível de hostilidade enfrentado por pessoas LGBTIQ+ no país.
No dia 6 de Fevereiro, a caravana que acompanhava o cortejo fúnebre de Hillary Ikechukwu foi invadida por populares que dançavam, cantavam e proferiam insultos homofóbicos, celebrando a sua morte e assediando familiares e amigos do jovem.
Vídeos do momento estão a circular amplamente nas redes sociais. Enquanto muitos internautas têm repudiado a atitude dos populares e exigindo justiça, outros têm responsabilizado Hillary pela sua própria morte, alegando que a existência de pessoas LGBTIQ+ não deveria ser permitida na Nigéria.
Até ao momento, nenhum suspeito foi formalmente identificado pelas autoridades. A organização de advogados e paralegais Minority Watch, bem como a organização Obodo Nigeria, dedicada à promoção dos direitos e da visibilidade LGBTIQ+ através da arte e cultura, anunciaram estar a colaborar com a Força Policial da Nigéria na investigação do homicídio.
Embora a Nigéria seja signatária da Carta Africana dos Direitos Humanos e dos Povos, as relações entre pessoas do mesmo sexo são puníveis com penas que podem atingir até 14 anos de prisão. Nos últimos meses, têm circulado nas redes sociais diversos vídeos que mostram agressões contra pessoas queer em zonas periféricas do país, evidenciando um contexto de crescente violência e perseguição.



