
O Arquivo de Identidade Angolano realizou, no último sábado (21), uma roda de conversa sob o tema “Abandono Familiar e as suas Consequências”, no Centro Cultural Comunitário “O Cúbico”, no Bairro Popular, em Luanda.
O encontro reuniu 48 pessoas com diversas orientações sexuais, expressão de género e identidade de género. Entretanto, os participantes testemunharam o processo por que passaram para serem aceites no seio familiar.
Algumas mulheres trans, lésbicas e homens gays falaram na primeira pessoa sobre as suas experiências concernentes ao abandono familiar que sofreram.
“Sofri exorcismo e fui acusado de bruxo e de que queria destruir o relacionamento da minha mãe… Fui expulso de casa, depois procurei ajuda numa das Igrejas Católicas… Voltei à casa para pedir desculpas à minha mãe, mas, ainda assim, ela não aceitou. Tive de sair de casa e viver na rua…”, contou Osvaldo Zua, um dos participantes da roda de conversa.
“Houve um certo dia em que a minha família sentou comigo e disse: Vamos levar-te a uma outra província para fazer tratamento porque o que você tem é uma doença… Eu não aceitei, mas, durante a noite, enquanto dormia, amarraram-me e levaram-me à casa de um pastor, na Mabor, que parecia kimbandeiro… Não me dava comida, porque aquele pastor dizia para eu não comer…”, testemunhou a Soki Gabriel, ex-Miss Trans Angola 2024.



